- Está solteira?
- Sim
- Quer companhia?
- Por que?
- Porque está sozinha.
Puf! Como assim? Sentiu a pancada na cara? Essa foi a tipica frase de alguém que acabou de cortar seu laço de afeição. Não estou julgando o fato de você ser solteira e não denominadamente sozinha. Só estou pedindo pra parar com a autoproteção que você própria colocou nos relacionamentos. Pare de tentar ser independente quando o que mais quer é um ombro apaixonado disposto a secar suas lagrimas desvaneias do cotidiano. Pare de tentar ser como todo tipo de garota que quer ser. Pare de tentar, só seja.
Seja novamente aquela mulher que balança o cabelo sem ter medo de ser vulgar ou atrevida. Pare com a tentativa de deixar crescer suas unhas, elas ficam lindas assim. Sei que acha que isso te fará mais madura, mas eu adoro a sua impaciência para cuida-la e o jeito como tenta mantê-la. Certa vez te ouvi dizer nas inconstâncias de beleza que foi coçar seu olho e o machucou, pelos poucos momentos (e a falta de prática com a unha), conseguindo deixa-la em um tamanho apropriado. Você ficou zangada e eu ri, sabe como adoro seus desastres.
Adoro ouvi-la falar de bandas quase esquecidas com palavras muito entendidas, indo de clássicos a MPB. Como não esquecer? Beatles, Clarice, Legião, Los Hermanos, Cazuza, Bon Jovi, Caetano, Cícero. Até Projota tu curte ouvir, mulher. Mulher, escuta essa musica mulher, escuta a musica dele e entenda meu desejo, mulher. Sua idealização é o sentido musical das palavras ouvidas. Teu gosto é de se admirar, brincar, rir, encantar, desejar. Lê Caio, Fernando Pessoa, Ayeska, Shakeaspeare, Orwell, Stephen, Gabito. Fala do universo, da crise, do futebol, do jornal, da mãe e do tal carioquinha que passou em sua rua.
Suas manias geram equívocos nos meus pensamentos. Percebe coisas que ninguém vê, inventa coisas que ninguém entende e fala como se fosse a mulher mais sábia do mundo. Eu sei que não é por que quer, é apenas seu jeito. Você fica sem graça quando te elogiam e prefere nunca mais ouvi-los. Cria manias parar tentar se entender e escreve como se fosse inventar um futuro. Tem vergonha de dançar, de sorrir e de falar.
Está com vergonha por eu te olhar? Isso é de se admirar…
Ta bom, de certo eu estava curioso, queria entender, te entender. Cada oportunidade era uma pista e um desejo a mais para mim. Mas este. Meu Deus. Por que não me responde? Por que não posso te fazer companhia? Por que não te acompanhar? Vi seu olhar exasperado e seu sorriso de meia boca. “Por isso.” Eu entendi e logo joguei fora tudo o que escrevi. Quão burro fui em tentar te entender. Para te ter não era preciso saber, só teria que ser.









Juliana Rios
Graduada em Administração com habilitação em Comércio Exterior, aventureira e fundadora dos blogs Dear Book e Juny Pelo Mundo. Apaixonada por viagens, culturas e em descobrir novas possibilidades. Mora em São José dos Campos – SP.
Kleris Ribeiro
Beletrista, produtora cultural, zineira, co-adm no Dear Book e diretora no Clube do Livro Maranhão. Fascinada por livros, mídias/comunicação e bastidores. Mora em São Luís – MA.
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